segunda-feira, 23 de maio de 2011

Um pouco de Medo

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"Quando éramos crianças, costumávamos ter medo de muitas coisas. Do monstro que fica embaixo da cama, de ficar sozinho em casa, de dormir no escuro. Tantas coisas! Tantos medos infantis.
Muitos deles vão embora conforme crescemos. Os medos vão sendo superados um a um, pouco a pouco. Alguns, você supera sem perceber. É um medo que, de repente, você percebe que não sente mais.
Medos que vão, outros que chegam. Você cresce e amadurece. Você muda. E sente novos medos. Medo das notas da escola, medo de levar um fora em uma balada. Depois, medo de assalto, medo de se machucar. Medo de perder quem você ama.

Medo nos aflige. Não é uma sensação boa. É o desconforto da insegurança. É o frio na barriga...
Mas medo é necessário. Ele nos ajuda a amadurecer. Ele nos ajuda a zelar por nós. Afinal, sempre dizem que morrem afogados aqueles que não têm medo de se aventurar em alto mar.

Sentir medo é só a confirmação de que você se importa com algo. É algo racional.

Sinta medo de ficar sozinho pelo resto da vida para arranjar alguém que compartilhe esse sentimento com você. Tenha medo de perder uma pessoa amada para valorizar o tempo que você passa com ela. Tenha medo de se machucar para você tomar mais cuidado com o seu corpo.

E quem diria que uma sensação como o medo poderia te fazer bem?"

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E você, leitor? Tem medo do que?

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Onde vivem as memórias

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O sol brilhava forte naquela manhã de sábado. Carlos dirigia para o centro da cidade, junto com seu filho, Renato. Apesar do sol forte, o calor era amenizado pelos intensos ventos de outono que balançavam as copas das árvores, derrubando folhas e galhos na rodovia em que Carlos passava. A velocidade do carro erguia as folhas que, após a passagem do veículo, caiam graciosamente de volta ao asfalto.
Carlos e o filho Renato, além da esposa Paula, resolveram passar o feriado no interior, na pequena cidade em que Carlos crescera. Carlos passara boa parte de sua vida nessa cidade. Mudou-se para São Paulo somente após casar-se com Paula, há vinte anos.
No momento, Carlos ia com o filho fazer compras para a casa. A casa de campo costumava ficar muito tempo sem ninguém, por isso, sempre que a família visitava o interior, precisava comprar de tudo: alimentos, produtos de limpeza e produtos de higiene pessoal. Carlos animava-se com a ideia de fazer compras. Renato parecia um tanto desanimado.
- Tudo bem com você, Renato?
- Tudo, pai. Só estou com sono.
Carlos, que conhecia o filho como ninguém, fingiu acreditar. Sabia que, apesar de ainda ser cedo, o filho não estava com sono. Estava entediado.
- Vai ser rápido, eu prometo. Com você ajudando, terminamos as compras rapidinho. Se sua mãe estivesse junto, demoraríamos o dobro, provavelmente.
Renato esboçou um pequeno sorriso. Era verdade.

Pai e filho terminaram as compras bem rápido. Logo, já estavam de volta no carro, andando pelas ruas do centro da cidade. Renato parecia um pouco menos desanimado, o que motivou o pai a puxar assunto.
- Filho, vamos passar em frente à escola em que eu fiz o colegial. Olha, é bem aqui! Foi aqui que eu conheci sua mãe.
- Nessa escola? Mas o prédio parece novo!
- Eles reformaram... Também, a escola já era muito velha quando eu estudava. Imagina como estaria agora. Essa aqui é a lanchonete em que eu passei muito tempo. Era o ponto de encontro do pessoal da escola. Passávamos horas aí.
- Fazendo o que, pai?
- Papeando, jogando cartas. E eles tinham uma mesa de bilhar lá dentro. Nem sei se ainda tem. Aqui era a casa do Edson, meu melhor amigo da escola. Os pais deles costumavam passar o dia inteiro fora e, sempre que a nossa turma matava aula, íamos para a casa dele. Bons tempos!
- Com certeza eram...
O restante do percurso foi feito em silêncio. Carlos, envolvido com as memórias de sua adolescência. Renato tentava imaginar como fora a adolescência do pai. Em comum, aquela sensação nostálgica que o passado sempre traz.

A verdade é que Carlos tivera uma adolescência memorável, que sobreviveu ao tempo. Lembranças tão memoráveis que passaram ao filho como se fosse algo tátil.
A viagem teve um gostinho diferente para Carlos e a velha cidade nunca mais foi a mesma para Renato.

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Song Beneath the Song

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Grey’s Anatomy é de longe a minha série favorita. Me apaixonei desde o primeiro capítulo que eu vi, há um tempinho.
Na última segunda-feira (11) eu me apaixonei mais ainda. Foi o episódio “musical” que a série tanto prometia. No início, achei que odiaria. Imaginei algo meio Glee (que não tenho nada contra, mas não é lá o estilo de programa que eu goste de acompanhar. E olha que eu costumo sempre me apaixonar por musicais em geral!), mas foi totalmente o oposto.
Foi um episódio cativante do começo ao fim, cheio do “draminha” que todo fã de Grey’s Anatomy gosta. Emocionante, roteiro riquíssimo, história que se desenvolve da maneira certa de forma inesperada. A série perfeita. Um episódio perfeito.

Achei, de longe, o melhor episódio da sétima temporada, que começou bem fraca. No entanto, achei os últimos episódios muito bons. Comparáveis aos do início da série.
Aliás, esse episódio musical é comparável aos dois últimos episódios da sexta temporada. Lembrei desses episódios com uma tristeza incomum.

Eu adoro os episódios finais da sexta temporada. Me prenderam totalmente, do começo ao fim. Eu mal piscava. Porém, hoje, o episódio lembra uma história da realidade. Uma realidade triste.

Não vamos nos esquecer que a tragédia na escola em Realengo completou hoje uma semana. Aquele tiroteio que matou doze crianças, feriu mais algumas e traumatizou centenas de pessoas. A tristeza dos episódios de Grey’s vem por conta do tiroteio: o tema principal dos capítulos é um atirador dentro do Hospital Seattle Grace.
A agonia da época, que tanto prendeu a minha atenção, era por não saber quem sobreviveria, quem morreria, quem levaria tiros... E como acabaria a tragédia.

Hoje, o episódio seria mais trágico ainda. Ele perderia a graça da ficção por ganhar ares de uma realidade que vivenciamos.

Pensei nessa comparação assistindo ao episódio de Grey’s na segunda-feira. Lógico que é uma comparação infeliz, mas comecei a pensar que estamos sujeitos a casos assim. Ainda não conseguimos entender exatamente o que passou pela cabeça de Wellington Menezes de Oliveira, mas no caso de Grey’s, o atirador revoltou-se por ter perdido sua mulher e uma causa na justiça para culpar o hospital pela morte dela. Coisas assim acontecem. São justificativas (justas ou injustas) para a revolta humana.

Só sei que não cabe a mim julgar o certo ou o errado. Só sei que o sentimento de desconforto e vazio é injusto. Injusto para as mães que mandaram seus filhos para a escola e viveram todo esse drama. Um drama desumano. Algo totalmente fora da realidade.
A mim, cabe não me conformar que coisas da vida que vão para a ficção voltem para a vida. Cabe rezar por essas crianças e pelas famílias atingidas por essa tragédia. Cabe convidar vocês a mais essa reflexão.

Tenham um ótimo restinho de semana e até o próximo post!

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domingo, 27 de março de 2011

O bom filho sempre retorna ao lar

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Olá, leitores!

Mais uma vez, peço desculpas pela ausência. Dessa vez, não há desculpas. Esse tempão sem escrever nada foi falta de inspiração e até falta de vontade. Mas cá estou!

Voltei para escrever um pouco sobre o que é #serblogueiro. É um post de “blogagem coletiva”. Eu achei a idéia ótima e uma desculpa melhor ainda para voltar e escrever alguma coisa.

Para mim, é fácil dizer o que é #serblogueiro. Sou blogueiro há anos. E da mesma forma que evolui como pessoa, evolui como blogueiro também.
A verdade é que blogs começaram como verdadeiros diários – ou páginas pessoais (ultra-pessoais, na verdade). E com a internet ganhando o mundo (quando comecei com blogs a minha conexão era discada!!), os blogs logo caíram no gosto pessoal.
Mas nem durou tanto tempo assim. Como a maioria dessas ferramentas que ficam populares de forma rápida, logo os blogs começaram a perder espaço. Não perderam totalmente. Nunca perderam. Mas evidentemente surgia um cemitério de blogs, páginas abandonadas, jogadas ao vento. Histórias perdidas no meio de pesquisas do Google.
Os blogs vêm e vão, uns criam, dedicam-se a eles e abandonam a blogosfera de repente. Outros persistem. E os blogueiros de verdade ficam.
Ser blogueiro é persistir. É publicar mesmo que não haja leitores. É escrever mesmo que não haja o que escrever. É entrar na página do blogspot e esboçar algo só para tentar não abandonar o blog. Tudo isso por um motivo: o amor por ter um espacinho na internet!

Cuido do meu blog como se fosse a minha casa. Gosto deixá-lo arrumado para os visitantes que passam por aqui – como um bom anfitrião.
Gosto de cuidar de cada detalhe no layout, de ler comentários, reler posts antigos... Afinal, este é o meu cantinho, um lugar que tem a minha cara.

Podem ser certeza que sou um blogueiro. Um blogueiro desde que criei meu primeiro blog, que nem lembro mais o endereço.
E por isso, podem esperar, que sempre estarei por aqui.

Um grande abraço a todos e uma ótima semana!

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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Dia 25, 25 anos...

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Dia 25 de Janeiro é uma data um pouco mais especial para mim do que para vocês (acredito eu). Agora, nesse dia 25 de Janeiro, feriado em São Paulo por ser aniversário da cidade, é também aniversário de casamento dos meus pais. E em 2011, eles completam 25 anos de casados.
Pensou? Vinte e cinco anos juntos, acordando sempre um do lado do outro, criando três filhos, convivendo com diversos problemas, lidando com diversos tipos de situação... E o mais importante: 25 anos felizes.
Precisa ser especial para ter um casamento bom assim. Não é fácil ter que dividir opiniões com outras pessoas. É fácil se impor, mas é difícil ceder. E para um casamento funcionar, é preciso ceder em diversas situações. Aliás, isso em qualquer relacionamento, certo?

Fica aí um espaço para reflexões. Enquanto você pensa, conto uma pequena história.

Era verão de 1986. Chovia bastante naquele dia, naquela pequena cidade do interior de São Paulo. Mas era um dia especial. Era dia de um casamento. Um dia especial para aqueles noivos. Um pouco de chuva não estragaria aquele dia, certo?
Mas a verdade que é não era “um pouco de chuva”. Chovia muito. Muito mesmo.
Durante o casamento, tudo certo. O problema veio durante a festa. Na verdade, um pouco antes da festa. A festa do casamento seria em um sítio, um pouco afastado do centro. Para chegar lá, era preciso passar por uma estrada de terra que costumava ser terrível em condições normais. Com chuva, tornava-se praticamente intransitável.
Alguns não conseguiram chegar e outros até tiveram problemas mecânicos no carro por conta da lamaceira. Mas os que conseguiram, aproveitaram uma linda festa. Festa à luz de velas, pois a chuva fizera com que a energia no sítio caísse.
E não foi só isso. Além de a chuva ter atrapalhado a festa, adiou em uma noite a lua-de-mel dos recém-casados, que tiveram que dormir no chão da casa nova, pois o colchão ainda não havia sido entregue.

Felicidade para os meus pais!

E parabéns para a melhor cidade do mundo :)

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