O sol brilhava forte naquela manhã de sábado. Carlos dirigia para o centro da cidade, junto com seu filho, Renato. Apesar do sol forte, o calor era amenizado pelos intensos ventos de outono que balançavam as copas das árvores, derrubando folhas e galhos na rodovia em que Carlos passava. A velocidade do carro erguia as folhas que, após a passagem do veículo, caiam graciosamente de volta ao asfalto.
Carlos e o filho Renato, além da esposa Paula, resolveram passar o feriado no interior, na pequena cidade em que Carlos crescera. Carlos passara boa parte de sua vida nessa cidade. Mudou-se para São Paulo somente após casar-se com Paula, há vinte anos.
No momento, Carlos ia com o filho fazer compras para a casa. A casa de campo costumava ficar muito tempo sem ninguém, por isso, sempre que a família visitava o interior, precisava comprar de tudo: alimentos, produtos de limpeza e produtos de higiene pessoal. Carlos animava-se com a ideia de fazer compras. Renato parecia um tanto desanimado.
- Tudo bem com você, Renato?
- Tudo, pai. Só estou com sono.
Carlos, que conhecia o filho como ninguém, fingiu acreditar. Sabia que, apesar de ainda ser cedo, o filho não estava com sono. Estava entediado.
- Vai ser rápido, eu prometo. Com você ajudando, terminamos as compras rapidinho. Se sua mãe estivesse junto, demoraríamos o dobro, provavelmente.
Renato esboçou um pequeno sorriso. Era verdade.
Pai e filho terminaram as compras bem rápido. Logo, já estavam de volta no carro, andando pelas ruas do centro da cidade. Renato parecia um pouco menos desanimado, o que motivou o pai a puxar assunto.
- Filho, vamos passar em frente à escola em que eu fiz o colegial. Olha, é bem aqui! Foi aqui que eu conheci sua mãe.
- Nessa escola? Mas o prédio parece novo!
- Eles reformaram... Também, a escola já era muito velha quando eu estudava. Imagina como estaria agora. Essa aqui é a lanchonete em que eu passei muito tempo. Era o ponto de encontro do pessoal da escola. Passávamos horas aí.
- Fazendo o que, pai?
- Papeando, jogando cartas. E eles tinham uma mesa de bilhar lá dentro. Nem sei se ainda tem. Aqui era a casa do Edson, meu melhor amigo da escola. Os pais deles costumavam passar o dia inteiro fora e, sempre que a nossa turma matava aula, íamos para a casa dele. Bons tempos!
- Com certeza eram...
O restante do percurso foi feito em silêncio. Carlos, envolvido com as memórias de sua adolescência. Renato tentava imaginar como fora a adolescência do pai. Em comum, aquela sensação nostálgica que o passado sempre traz.
A verdade é que Carlos tivera uma adolescência memorável, que sobreviveu ao tempo. Lembranças tão memoráveis que passaram ao filho como se fosse algo tátil.
A viagem teve um gostinho diferente para Carlos e a velha cidade nunca mais foi a mesma para Renato.
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Carlos e o filho Renato, além da esposa Paula, resolveram passar o feriado no interior, na pequena cidade em que Carlos crescera. Carlos passara boa parte de sua vida nessa cidade. Mudou-se para São Paulo somente após casar-se com Paula, há vinte anos.
No momento, Carlos ia com o filho fazer compras para a casa. A casa de campo costumava ficar muito tempo sem ninguém, por isso, sempre que a família visitava o interior, precisava comprar de tudo: alimentos, produtos de limpeza e produtos de higiene pessoal. Carlos animava-se com a ideia de fazer compras. Renato parecia um tanto desanimado.
- Tudo bem com você, Renato?
- Tudo, pai. Só estou com sono.
Carlos, que conhecia o filho como ninguém, fingiu acreditar. Sabia que, apesar de ainda ser cedo, o filho não estava com sono. Estava entediado.
- Vai ser rápido, eu prometo. Com você ajudando, terminamos as compras rapidinho. Se sua mãe estivesse junto, demoraríamos o dobro, provavelmente.
Renato esboçou um pequeno sorriso. Era verdade.
Pai e filho terminaram as compras bem rápido. Logo, já estavam de volta no carro, andando pelas ruas do centro da cidade. Renato parecia um pouco menos desanimado, o que motivou o pai a puxar assunto.
- Filho, vamos passar em frente à escola em que eu fiz o colegial. Olha, é bem aqui! Foi aqui que eu conheci sua mãe.
- Nessa escola? Mas o prédio parece novo!
- Eles reformaram... Também, a escola já era muito velha quando eu estudava. Imagina como estaria agora. Essa aqui é a lanchonete em que eu passei muito tempo. Era o ponto de encontro do pessoal da escola. Passávamos horas aí.
- Fazendo o que, pai?
- Papeando, jogando cartas. E eles tinham uma mesa de bilhar lá dentro. Nem sei se ainda tem. Aqui era a casa do Edson, meu melhor amigo da escola. Os pais deles costumavam passar o dia inteiro fora e, sempre que a nossa turma matava aula, íamos para a casa dele. Bons tempos!
- Com certeza eram...
O restante do percurso foi feito em silêncio. Carlos, envolvido com as memórias de sua adolescência. Renato tentava imaginar como fora a adolescência do pai. Em comum, aquela sensação nostálgica que o passado sempre traz.
A verdade é que Carlos tivera uma adolescência memorável, que sobreviveu ao tempo. Lembranças tão memoráveis que passaram ao filho como se fosse algo tátil.
A viagem teve um gostinho diferente para Carlos e a velha cidade nunca mais foi a mesma para Renato.
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6 comentários:
Caraca! Intenso e vibrante! Gostei bastante do seu jeito de escrever, vc poderia tentar escrever uma história. Acho que seria bem legal! Estarei esperando pelos próximos posts!
Fui!
Olá Rodrigo, parabéns pelo post! Eu me imagino assim com meu filho (se eu tiver), tendo essas sessões nostalgia. Eu já sou um nostalgico por natureza! rsrs
Abçs!!
Danilo Moreira
http://blogpontotres.blogspot.com/
Minha primeira reportagem: Esses anos 80...
Boa noite Rodrigo,
a quanto tempo não passo aqui. Eu que já fui leitor assíduo e companheiro de comentários... vi que o espaço continua límpido, poético e agradável...
parabéns! e que possamos nos achegar.
Fazer compras com o pai é sempre mais rápido, e o risco de esquecer algo importante é sempre maior. =P
Bela história, Ro, como já é de costume!
Beijos!
Lembranças contadas podem trazer nostalgia até pra quem não viveu tal lembrança.
Muito bom, adorei aqui :*
Eu sou nostálgica por natureza. Esses textos desse estilo quase me fazem viver a história na pele.
Primeira vez no seu blog, achei muito interessante. Vou seguir e voltar sempre que puder. Parabéns!
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