Dia 22 de Setembro foi o Dia Mundial Sem Carro. Confesso que aderi sem querer. De manhã, não lembrei que era o Dia Sem Carro, mas como sai de casa para ir trabalhar um pouco atrasado, optei pelo metrô.
Eu amo bicicletas. Meu amor é por lazer: andar de bicicleta no parque, na praia, para fazer trilhas. E eu admiro muito quem anda de bicicleta no centro da cidade, utilizando-a literalmente como meio de transporte.
Acho ainda mais legal ter o Dia Mundial Sem Carro. Para quem tem a possibilidade de ir até o trabalho de bicicleta, ótimo. Mas e aqueles que não têm?
Como eu, podem recorrer ao transporte público. Mas tenta fazer alguém que, todo dia, apesar do trânsito, está no conforto de seu carro para ir trabalhar. Aquele metrô abarrotado, aquele ônibus em que você mal consegue mexer as pernas. É difícil. O transporte público de São Paulo é caro e nada confortável.
Mas tudo bem! A causa é maior. Acho bacana demais. O que eu não achei legal foi o que eu vi agora a pouco na Paulista.
Saindo do cinema, lá no número 900 da Paulista, vi muitos ciclistas percorrendo a Paulista, sentido Paraíso. Achei legal, pois já se passavam das 21h. Não é mais horário de pico e eles podem ocupar toda a Paulista sem causar grandes danos ao trânsito.
No entanto, percebi que isso atrasaria muito a minha volta para casa, caso eu optasse pelo ônibus. Eles estavam fechando todas as faixas da Avenida Paulista sentido Paraíso. Recorri ao metrô.
Andei um quarteirão da Paulista, sentido Brigadeiro. Chegando ao cruzamento, o farol fechou para quem estava na Paulista e abriu para quem estava na Brigadeiro. No entanto, os ciclistas não respeitaram o sinal e continuaram andando. Havia motos da polícia nesse cruzamento.
Alguns dos ciclistas pararam e faziam sinais para os carros parados na Brigadeiro. Os carros imediatamente começaram a buzinar, freneticamente.
A causa é boa. E eu concordo com os protestos. Muitos motoristas não respeitam ciclistas. Alguns até tentam, mas a falta de convivência com ciclistas no trânsito ainda prejudica o relacionamento. O que pode ter um fim trágico.
Concordo que falta respeito com ciclistas. Concordo que ciclistas ainda estão conquistando o espaço deles e que ainda há muito que melhorar. Concordo com protestos.
Mas discordo da total falta de respeito que vi hoje. Sim, é o Dia Mundial Sem Carro. Porém, isso não é lei. Adere quem quiser e tiver condições. O respeito precisa existir. Respeito à sinalização e respeito aos motoristas. Aos motoristas, cabe respeitar o protesto e, sobretudo, os ciclistas.
Apoio a causa. Mas o que eu vi hoje foi uma raiva contida que se transformou em falta de respeito. Para mim, os “protestantes” perderam a razão. E o Dia Mundial Sem Carro, algo que aderi (mesmo que sem querer) com muito orgulho, de repente, não fez sentido mais. Não a partir do momento em que eu vi que essa causa prejudicou tanta gente. Gente que, talvez, como eu, apoiasse a causa e respeitasse os ciclistas.
O Espaço em Branco apoia o respeito a todos. Motoristas, ciclistas, pedestres. Carros, ônibus, bicicletas, táxi. Se um respeitar o outro, teremos um trânsito muito melhor. Teremos uma qualidade de vida muito melhor.
Reflita! E respeite.
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1 comentários:
Tráfego caótico mais ausência de respeito combinação tenebrosa. Felizmente na pequena cidade onde moro, 20.168 habitantes, carros, motos e bicicletas coexistem sem grandes problemas (por por enquanto)XD.
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